sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Download de notas musicais (final 1)


Júlia encontrava-se atordoada com a nova atitude de Fernando. Mas agora tinha uma idéia fixa, queria tê-lo ao seu lado e, então, vivenciava momentos, sentimentos, que se confundem entre si.*

Fernando só agora compreendera o jeito de amar daquela menina-mulher. Após tanto insistir naquela história e cansado das atitudes dela, um dia disse-lhe:
Eu sempre quis fazer você feliz

Às vezes, me deixava pra outra hora

Eu sempre quis falar o que eu sentia

Mas dessa vez foi o silêncio que falou por mim

Eu sempre me esforcei pra te incentivar

Tua falta de caminho me detinha a intenção

Eu sempre te deixei bem à vontade

Mas tua falta de vontade me desmotivou*

Tempos depois, ele resolveu conversar com Júlia e juntos concluíram que seria difícil que algum dia seus corações encontrassem o mesmo ritmo. Logo em seguida foram para casa, ambos pensativos. Na manhã seguinte Fernando enviou-lhe o seguinte email:

Júlia pense nisso:

Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de mais nada fazer.*

E Júlia, inconformada, respondeu o email com uma única frase:

Nando,

Hoje, eu descubro que pra ter amor, não me bastou desejar.*


* O sonho Acabou -Banda Vega


* Já foi - Jota Quest


* Clarice Lispector


* Por um triz- Cof da mu




Download de notas musicais ( final 2 )


Fernando e Júlia viveram situações que somente eles conseguiam compreender a sua real significação. Depois do último encontro, passaram um período afastados. Enquanto um respeitava o seu momento, o outro sofria com sua teimosia.

Mas a vida continuava a reserva-lhes surpresas. Mais uma vez encontraram-se nos bailes da vida e Fernando ao vê-la linda e exuberante pensou: já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar.*

Já Júlia, mesmo contrariando o seu orgulho, pensou consigo mesmo: ou já é hora de mudar, até a chuva se cansa e vai partir.*

Naquele instante, mesmo pensando em ritmos diferentes, seus corações decidiram se afinar na orquestra da vida.

* Conversa de Botas Batidas - Los Hermanos

*Nua - Cof da Mu

domingo, 19 de outubro de 2008

Download de notas musicais


Fernando é analista de sistemas. Júlia estudante de música. Em certo momento de suas vidas, mesmo trilhando caminhos tão distintos eles se encontraram.

Inicialmente amigos. Em seguida uma série de desencontros...

Aquele momento de amizade, fora o único em que conseguiram viver em harmonia. Desde então, o compasso de seus corações vem marcando tempos distintos.

Fernando viveu um período em que o download de seus sentimentos oscilava como um processo de transferência de dados. Como não se encontravam durante a semana as coisas eram mais fáceis: Amor: 30% - Amizade: 70%. Já durante os finais de semana, o encontro era inevitável, pois possuíam amigos em comum e a situação se invertia.

Júlia incomodada com essa situação decidiu afastar-se. Passaram um tempo sem se ver, mas o sentimento que os unia encarregou-se de aproximá-los novamente. Desta vez, Júlia tentando formatar o seu coração, ao reencontrá-lo cantou:

Do muito que eu li
Do pouco que eu sei
Nada me resta
A não ser a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei
Nem que seja só para estar ao seu lado...

E Fernando, mesmo não sendo (estando) tão afinado quanto ela ( com ela) completou:

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

domingo, 14 de setembro de 2008

Por você, faria isso mil vezes!!




Poucos têm a coragem de dizê-la. Menos ainda são dignos de escutá-la. Considero esta a frase mais marcante do livro O caçador de pipas.


Khaled Hosseini narra em seu livro duas histórias: a primeira ficcional e mais visível, a história da amizade de Hassan e Amir; já a segunda, subjacente à primeira, mas que não deixa de ter sua importância é a história do Afeganistão e o seu processo histórico de ocupação pelo Talibã.


Deparamo-nos, então, com um livro no qual o real e o ficcional se entrecruzam para dar vida a uma narração fascinante.

domingo, 31 de agosto de 2008

Matizes do amor

O amor é isso. O amor é aquilo. Tantos e tantos, cada um a seu modo, já tentaram definir / traduzir esse sentimento.

Magistralmente Camões o interpreta como sentimento das contradições:

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

Já Adriana Calcanhoto nos apresenta o amor como sinônimo de complemento:

Futebol sem bola
Piu-piu sem Frajola
Sou eu, assim, sem você...

Bom seria se o amor fosse sempre assim como canta Roupa Nova:

Amar!
É envelhecer querendo te abraçar
Dedilhar num violão
A canção prá te ninar
Suspirar sem perceber
Respirar o ar que é você
Acordar sorrindo
Ter o dia todo prá te ver...


Mas, não raras vezes, é assim que ele se apresenta:

De tarde quero descansar, chegar até a praia
Ver se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras.
Sei que faço isso para esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora

Pois é, o amor reúne essas e tantas outras coisas...

domingo, 17 de agosto de 2008

A vida é a arte do encontro

Vinícius de Moraes foi sábio em mais um de seus pensamentos: A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida.


Encontros de todos os tipos! Uns frutíferos, outros nem tanto. Alguns por tempo determinado, embora haja poucos que são escolhidos para serem eternos. Entretanto, o que de fato importa nesses encontros é a intensidade com que são/ foram vividos.

E por falar em encontros, eis um que tem me proporcionado intensos momentos de alegria e pelos quais sou muito grata:

E como disse Adélia Prado: aquilo que a memória amou fica eterno.

domingo, 10 de agosto de 2008

Sentindo as palavras


Depois de ouvir Simples Palavras comecei a pensar sobre o poder e o sabor das palavras...

Palavras ditas sem saber, palavras ditas sem querer. Muitas constroem, mas também destroem.

Já ao ler Rubem Alves descobri que as palavras também podem ser saboreadas. Mas cuidado, pois podem ser doces como mel ou amargas como fel.

Mexendo um pouco na minha bagunça interior lembrei das palavras ásperas como as notas de instrumento musical desafinado. Mas, para meu conforto, já encontrei também palavras macias, ou melhor, de conforto, como o consolo de um bom amigo.

Tudo isso por causa dessas Simples Palavras:


Palavras ditas sem saber

Palavras ditas sem querer

Palavras distorcidas provocam frases tão ambíguas


Simples palavras também tocam bem fundo

Vão além e são reais

Constroem humanos e heróis

Palavras causam impressões (Mas são só palavras)

Não acredite em meras palavras (não)

Palavras (não)


Palavras cultas e formais

Traduzem gênios intelectuais

Mas nem sempre são capazes de compreensão

Palavras presas no olhar

Palavras ocultas prá disfarçar

E não dizer, mostrar aos poucos você


Palavras ditas sem saber

Palavras ditas sem querer

Palavras distorcidas provocam frases tão ambíguas


Palavras causam impressões (Mas são só palavras)

Não acredite em meras palavras (não, não)

Palavras podem expressar

O que não era pra mostrar

Palavras podem esconder

O que o coração tenta não dizer

O que o coração diz sem querer


Simples palavras tocam bem fundo, vão além

E são reais

Transforma humanos em heróis

Meras palavras.
Banda Vega